noticias

Decisão sobre Darnold, interesse em Tyreek Hill e dúvida sobre Jefferson: a semana agitada dos Vikings

Guilherme Tavares via Minnesota Vikings BR·01/10/2026
Decisão sobre Darnold, interesse em Tyreek Hill e dúvida sobre Jefferson: a semana agitada dos Vikings

A semana dos Minnesota Vikings antes do confronto em casa contra os Miami Dolphins trouxe uma enxurrada de notícias que mexem com o presente e revisitam decisões do passado recente da franquia. De novos relatos sobre os bastidores da decisão de deixar Sam Darnold ir embora e apostar em J.J. McCarthy, passando por um tweet provocador de Tyreek Hill que inflamou a imaginação da torcida roxa, até a incerteza sobre a presença de Justin Jefferson no domingo, o noticiário em torno do time não deu trégua.

O jornalista Chip Scoggins trouxe à tona o que muitos fãs já suspeitavam: KOC teve papel ativo e decisivo na escolha de J.J. McCarthy no draft de 2024. Segundo Scoggins, quem acredita que o então GM Kwesi Adofo-Mensah agiu sozinho ao selecionar McCarthy, sem o input e o incentivo do head coach, "provavelmente acredita na fada do dente". Para a torcida dos Vikings, isso não chega a ser uma revelação bombástica: Drake Maye era o nome número um no board da franquia, McCarthy vinha logo atrás, e KOC nunca escondeu o entusiasmo pelo QB de Michigan. O que merece crédito, porém, é a postura do head coach ao reconhecer o erro. Em vez de insistir em McCarthy como franchise QB só para provar que estava certo, ele fez a coisa certa: cortou as perdas, admitiu que a aposta não deu certo e seguiu em frente. É o tipo de maturidade que nem todo head coach da NFL demonstra.

A reportagem de Alec Lewis, do The Athletic, acrescentou outra camada a essa história. De acordo com fontes da liga e do time, nem Kwesi nem KOC votaram por dar a Darnold um contrato de longo prazo; a decisão foi unânime no front office. Além disso, a cúpula em Minnesota acreditava que Daniel Jones valorizaria o ambiente favorável a quarterbacks que os Vikings construíram, mas subestimou o desejo de Jones de ser titular, o que o afastou da função de backup de McCarthy. A culpa pela saída de Darnold recai inevitavelmente sobre KOC, considerado o "quarterback whisperer" e quem liderou a virada de chave para McCarthy. Mas é preciso ser honesto: a grande maioria da torcida concordava com essa decisão na época, queria McCarthy como titular e não fazia questão do retorno de Darnold. Olhando para trás, isso parece absurdamente equivocado.

O mais impressionante é como a decisão de manter Darnold parecia, e parece agora, óbvia. O QB tinha 27 anos, em plena janela do auge atlético, vinha de uma temporada com 14 vitórias e 35 touchdowns e já acumulava sete temporadas na NFL. A lógica de deixá-lo sair era simples: se KOC fez Darnold funcionar, certamente faria o mesmo com McCarthy, e o dinheiro economizado poderia ser investido em peças como Jonathan Allen, Javon Hargrave e outros reforços. No papel, fazia sentido. Mas ninguém considerou que Darnold, em um segundo ano no sistema, poderia ser ainda melhor do que no primeiro. Ninguém sequer cogitou essa possibilidade, e essa é a parte que mais impressiona em retrospecto. Dito isso, é hora de virar a página. Darnold está no Seattle Seahawks, McCarthy está o New York Giants, e nenhum dos dois faz parte dos Vikings de 2026. O foco agora precisa estar em quem veste o roxo hoje.

E falando em novidades que agitam a torcida, Tyreek Hill publicou um tweet dizendo que está "pronto para o frio", o que imediatamente gerou especulação sobre um possível interesse nos Vikings. O contexto é tentador: Hill é free agent desde fevereiro, quando foi liberado pelos Dolphins, e em 2022 declarou publicamente que era fã dos Vikings quando criança e que Minnesota seria o time que escolheria se pudesse. Seu agente, Drew Rosenhaus, esteve recentemente nas instalações do time em Eagan, embora também represente Christian Darrisaw, Josh Metellus e outros jogadores do elenco. Apesar do apelo da ideia, uma análise mais fria sugere que a conexão não faz sentido prático para nenhum dos lados. Os Vikings já trabalham com quatro WRs no esquema ofensivo e não vão colocar Jalen Nailor ou Jauan Jennings no banco, especialmente com a possível ausência de Justin Jefferson. Hill, aos 32 anos e ainda voltando de uma grave lesão no joelho, provavelmente quer ser pelo menos o terceiro receiver de um time, não o quinto. A probabilidade de isso acontecer é mínima.

No departamento de reforços, os Vikings adicionaram o running back Audric Estimé ao practice squad, o segundo jogador vindo do New Orleans Saints em pouco tempo, depois de Devin Neal. A saída de ambos sem compensação alguma irritou a torcida dos Saints, e com razão. Estimé é um corredor difícil de derrubar, e Neal já mostrou lampejos interessantes. Com Aaron Jones dificilmente aguentando 20 toques por jogo ao longo de toda a temporada, ter opções como Estimé e Neal no practice squad dá ao time flexibilidade no backfield para os jogos em que KOC quiser distribuir melhor o volume de corridas.

O primeiro injury report da semana trouxe informações importantes. Blake Cashman foi limited nos treinos com um problema no cotovelo, e sua presença é crucial: os Vikings têm campanha de 24-7 quando ele está em campo. O cornerback Charles Demmings não treinou por causa de uma lesão no hamstring. Aaron Jones foi limited, apenas por descanso. O punter Brett Thorson também ficou fora, ainda se recuperando do hamstring direito. Mas o nome que mais chama atenção é Justin Jefferson, que não treinou e é considerado day-to-day por causa de uma entorse no tornozelo direito. Segundo KOC, não é um high ankle sprain, e a porta segue aberta para que ele jogue no domingo.

A posição mais sensata, no entanto, é preservar Jefferson. Os Dolphins ainda não venceram em 2026 (0-3) e devem terminar com uma das piores campanhas da liga. Se os Vikings, invictos, não conseguem vencer Miami em casa sem seu WR1, existe um problema muito maior do que uma lesão no tornozelo. E mesmo que Jefferson se sinta 100%, guardá-lo para o confronto seguinte, fora de casa contra o New Orleans Saints, um jogo com implicações muito mais relevantes, parece a jogada mais inteligente. A temporada regular tem 17 jogos, e saber escolher as batalhas é o que separa times que chegam aos playoffs de times que desmoronam na reta final. Os Vikings estão em posição confortável para fazer essa escolha com inteligência.