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Defesa sufoca os Bears, Vikings vencem por 9 a 3 e seguem invictos na temporada

Alan Kaefer e Henrique Gucciardi·22/09/2026
Defesa sufoca os Bears, Vikings vencem por 9 a 3 e seguem invictos na temporada

São sete vitórias consecutivas do Minnesota Vikings no Soldier Field, um estádio que já foi cenário de sofrimento para a franquia em temporadas como 2016 e 2018. Dessa vez, sob chuva intensa e com o campo em condições precárias, o time de Kevin O'Connell venceu o Chicago Bears por 9 a 3, em um jogo controlado do início ao fim pela defesa comandada por Brian Flores. O placar magro esconde a dimensão do domínio defensivo: limitar a 3 pontos um ataque que havia acabado de fazer 59 pontos contra o Carolina Panthers, mesmo que a defesa dos Panthers seja frágil, é uma declaração de autoridade.

Muito se falou na semana sobre o duelo tático entre Ben Johnson e Brian Flores, mas o debate foi conduzido de forma preguiçosa pela mídia no geral. Os números de Johnson contra Flores caíram de 380 jardas por jogo quando ele estava no Detroit Lions para 310 com os Bears, uma diferença de 70 jardas que reflete uma realidade óbvia: são times completamente diferentes. Johnson não conta mais com Amon-Ra St. Brown, Jahmyr Gibbs, Sam LaPorta e uma linha ofensiva superior. Caleb Williams tem um potencial imenso, mas está longe de operar o sistema como Jared Goff fazia após anos de convivência com o esquema. Além disso, Johnson agora é head coach e precisa pensar no time inteiro, delegando funções que antes eram exclusivamente dedicadas ao planejamento ofensivo. O contexto importa, e ignorá-lo para criar uma narrativa simplista de confronto direto é desonesto.

Dallas Turner segue calando os críticos que passaram dois anos questionando sua escolha no draft. Com 20 pressões, 11 quarterback hits e 3 sacks em apenas dois jogos, o edge rusher viveu no backfield dos Bears durante toda a partida. Houve quem tentasse diminuir seu desempenho apontando que a maioria das pressões não veio em situações de um contra um puro contra um tackle, mas essa análise ignora que diversas jogadas envolviam bloqueio duplo com tackle e running back, e que derrubar Caleb Williams, especialmente na chuva, é uma tarefa absurdamente difícil pela mobilidade do quarterback. Turner foi draftado três anos mais jovem que nomes como Jared Verse e Laiatu Latu, e sua maturação era esperada. Nem todo calouro será Justin Jefferson, e o progresso raramente é linear. O trabalho de Flores em criar situações favoráveis para seu melhor pass rusher, assim como fazia com Jonathan Greenard e como Mike Zimmer fazia com Danielle Hunter, é parte fundamental do esquema, e cabe ao adversário ajustar. Ben Johnson simplesmente não ajustou a proteção em nenhum momento, deixando Logan no isolamento contra Turner até a última jogada do jogo.

Caleb Banks também merece destaque na linha defensiva. Contra uma dupla de running backs que havia combinado mais de 100 jardas e 4 touchdowns na semana anterior com D'Andre Swift e Kyle Monangai, Banks ajudou a travar o jogo terrestre dos Bears. Sua evolução contra o passe também ficou evidente, com um lance impressionante em que empurrou o guard Joe Tippmann, eleito melhor jogador ofensivo da semana, quatro jardas para trás como se fosse nada. Tyrion Ingram-Dawkins complementou bem o trabalho nas trincheiras, mantendo sua solidez contra a corrida. A secundária teve uma partida consistente, com poucos momentos de receivers abertos no meio do campo, diferente do que ocorreu contra o Green Bay Packers na semana anterior.

No ataque, Aaron Jones foi o grande protagonista ofensivo, carregando o piano praticamente sozinho como único running back relevante na ausência de Jordan Mason, que foi para a Injured Reserve. Jones registrou o maior número de carregadas desde 2022 como Viking, com quase 5 jardas por tentativa, contra uma defesa dos Bears que é competente contra a corrida. O dado mais revelador sobre a filosofia do time em 2025 é que o Vikings lidera a NFL em porcentagem de chamadas terrestres em primeira e segunda descida, com 62%, contra 59% do segundo colocado Seattle. O'Connell está claramente comprometido com o jogo terrestre, e os resultados estão aparecendo. A linha ofensiva, com Donovan Jackson espetacular e os dois tackles jogando bem, começa a se entrosar, enquanto do outro lado, nosso velho conhecido Garrett Bradbury cometeu 4 faltas no jogo, incluindo 2 false starts e 2 holding, algo inaceitável para um center.

A decisão de O'Connell de chutar o field goal na última campanha ofensiva em vez de arriscar uma quarta para oito com Carson Wentz na chuva foi absolutamente correta, por mais que alguns tenham criticado. A campanha queimou cinco minutos de relógio e forçou os Bears a gastarem todos os timeouts. Com um QB reserva que não estava conseguindo avançar consistentemente, sob chuva, sem o titular, imaginar que Wentz converteria uma quarta longa era ilusão. O ataque dos Bears havia pontuado em apenas uma campanha no jogo inteiro, e confiar na defesa de Flores para segurar a vantagem era a decisão mais racional. Will Reichard, autor de todos os 9 pontos do Vikings, confirmou mais uma vez por que é considerado um dos melhores kickers da liga, acertando três field goals em condições climáticas adversas.

A volta de Kyler Murray como titular no próximo jogo contra o Tampa Bay Buccaneers traz expectativa e uma dose saudável de incerteza. Murray já está liberado e deve assumir a posição, o que adiciona uma dimensão que o ataque não teve nos dois primeiros jogos: a ameaça de corrida do quarterback, jogadas de design run e a capacidade de estender jogadas fora do pocket. Não se pode cravar que Murray será a solução definitiva, já que a amostragem ainda é mínima, mas ele é inquestionavelmente o quarterback mais talentoso do elenco. A narrativa de que o Vikings 'deixou' Sam Darnold e Daniel Jones saírem é falsa: a franquia fez propostas para ambos, que optaram por contratos mais longos em outros times. Foram decisões legítimas dos jogadores, não negligência da franquia.

Os Buccaneers chegam com um início de 0-2 após derrotas para Bengals e Browns, o que não deve enganar ninguém: Tampa Bay possui um elenco talentoso e será um teste mais difícil de pass rush para a linha ofensiva do Vikings. Com Murray no comando, a expectativa é de um ataque mais explosivo, especialmente com a possível volta de Jauan Jennings. O Vikings está 2-0 na divisão, líder isolado da NFC North, e cada vitória nessa sequência de jogos viáveis pode ser determinante para a corrida aos playoffs. A defesa de Flores está no caminho para ser a melhor de seus quatro anos em Minnesota, e se o ataque encontrar seu ritmo com Murray, esse time tem potencial para fazer barulho.