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Greenard quer contrato de mais de US$ 30 milhões por ano e Vikings avaliam futuro do pass rusher; Ted Hurst surge como alvo no draft

Guilherme Tavares via Minnesota Vikings BR·27/03/2026
Greenard quer contrato de mais de US$ 30 milhões por ano e Vikings avaliam futuro do pass rusher; Ted Hurst surge como alvo no draft

O Minnesota Vikings vive um momento de decisões cruciais para moldar o elenco da próxima temporada, e duas frentes dominam as discussões: o futuro de Jonathan Greenard na linha defensiva e a busca por um terceiro wide receiver confiável. De acordo com o jornalista Alec Lewis, o Philadelphia Eagles e o Indianapolis Colts permanecem interessados em negociar por Greenard, mas o agente do jogador deixou claro que qualquer trade precisará vir acompanhado de uma extensão contratual na casa dos US$ 30 milhões por ano. Essa exigência muda completamente a dinâmica de qualquer negociação e pode ser o fator que mantém Greenard em Minneapolis por mais tempo do que muitos imaginam.

A lógica do Eagles faz sentido na superfície. Howie Roseman perdeu Jalen Phillips nesta offseason e precisa repor um edge rusher de impacto. Após não conseguir concretizar negociações por Max Crosby e Trey Hendrickson, Philadelphia mira Greenard como a próxima melhor opção, supostamente oferecendo algo na faixa de um segundo round pick. Pelo lado dos Colts, a situação é mais complicada: sem first round pick neste draft e com a possibilidade de abrir mão do segundo, Indianapolis ficaria sem seleção até a terceira rodada, o que torna difícil imaginar como essa negociação se concretizaria. Os Vikings, por sua vez, aparentemente estabeleceram um preço alto, provavelmente pedindo um first round pick, o que eleva a barreira para qualquer interessado.

O ponto central dessa equação é que Greenard não é apenas um ativo de trade. Ele ainda tem dois anos restantes em seu contrato atual, com um salário de aproximadamente US$ 22,5 milhões. Os números da temporada passada podem não ter saltado aos olhos em termos de sacks puros, mas uma análise mais profunda dos dados conta uma história diferente. Sua taxa de pressão foi mais alta, sua taxa de vitórias nos duelos individuais subiu e, talvez o mais impressionante, sua taxa de pressão rápida (pressões geradas em menos de dois segundos) chegou a 8,2%, uma métrica que é considerada uma das mais reveladoras ao avaliar edge rushers na NFL. Além disso, seu desempenho contra a corrida também apresentou evolução, algo que o próprio Brian Flores reconheceu publicamente ao longo da temporada, afirmando que os números de sacks nem sempre contam a história completa de um jogador dominante.

A questão financeira é onde o debate esquenta. Greenard olha ao redor da liga e se vê claramente acima de nomes que receberam contratos recentes de grande valor. Azeez Al-Shaair a US$ 24 milhões por ano, Jalen Phillips com seu potencial mas produção inferior, Montez Sweat, Josh Hines-Allen e até Trey Hendrickson, que fechou com o Baltimore Ravens. Embora Hendrickson seja um excelente pass rusher, ele não oferece o mesmo valor nos downs de corrida que Greenard entrega. O argumento de Greenard por US$ 30 milhões por ano tem fundamento quando comparado ao mercado, mas a pergunta que os Vikings precisam responder é se vale a pena pagar esse valor agora, com dois anos de contrato ainda pela frente, ou se o melhor caminho é deixá-lo jogar a temporada pelo valor atual e, caso ele mantenha o nível de performance, estendê-lo quando tiver 30 anos por algo em torno de US$ 28 a US$ 30 milhões. A inclinação, pelo menos entre analistas, é manter Greenard, deixá-lo honrar o contrato nesta temporada e reavaliar a extensão depois, especialmente considerando que o time conta com um quarterback em contrato barato, o que abre espaço no salary cap para investir na linha defensiva no futuro. Com Greenard, Dallas Turner e Andrew Van Ginkel formando o trio de edge rushers, o Minnesota tem uma das rotações mais completas da liga.

Na outra ponta do espectro, a posição de WR3 segue como um buraco a ser preenchido no elenco ofensivo. E um nome que vem chamando atenção é Ted Hurst, wide receiver de Georgia State, com quem os Vikings já têm uma visita agendada para os próximos meses. Hurst é o tipo de prospecto que acende o radar dos times: 1,90m, pouco menos de 95 quilos, 40-yard dash de 4.42 e um 10-yard split de 1.55, um dos melhores de sua classe. Nos últimos dois anos, ele liderou todos os recebedores do FBS com 25 recepções de 20 ou mais jardas aéreas, ficando à frente inclusive de Emeka Egbuka, nome cotado para o top 15 deste draft. Não à toa, o respeitado analista Greg Cosell afirmou que, se Hurst viesse de uma escola de Power 5 com essas mesmas ferramentas atléticas, estaríamos falando dele como um first round pick sem qualquer questionamento.

O perfil de Hurst combina elementos que se encaixam bem no esquema ofensivo dos Vikings. Ele é um big play maker com capacidade real em bolas disputadas de 50-50, foi uma máquina de touchdowns na red zone em Georgia State e forçou 17 missed tackles na última temporada, demonstrando habilidade com a bola nas mãos em espaço aberto. Sua capacidade de encontrar os pontos fracos em coberturas de zona, sentando nas janelas e se posicionando para o quarterback, remete ao tipo de rota que o Minnesota adora explorar: deep ins e crossing routes profundas. O ponto negativo, e que não pode ser ignorado, é a taxa de drops, que ficou em 10,9% ao longo de sua carreira universitária. Para um jogador que marca todas as outras caixas do checklist de um WR moderno, essa é uma preocupação legítima que pode fazê-lo escorregar no draft e, paradoxalmente, torná-lo uma pechincha para um time como o Vikings.

A decisão sobre investir capital de draft na posição de WR3 depende fundamentalmente do nível de confiança que a comissão técnica tem em Trey Palmer e, principalmente, em Ty Felton. Felton, selecionado com um pick de quarto round no último draft, mostrou valor como gunner no special teams, mas não demonstrou muito como arma ofensiva. A pergunta não é se ele consegue preencher a função por um jogo ou dois, mas sim se é confiável para ser o WR3 titular ao longo de 17 semanas, atuando em mais de 50% dos snaps ofensivos em um ataque que utiliza formações de 13 personnel com frequência. Se a confiança for parcial, um pick de quarta rodada em um receiver faz sentido. Se não houver confiança alguma, é possível que o Minnesota invista nas três primeiras rodadas.

A história recente dos Vikings mostra um padrão interessante na posição. O time sempre teve duplas de elite, de Diggs e Thielen a Jefferson e Addison, passando por Moss e Carter, mas o WR3 sempre foi um ponto de rotatividade. KJ Osborn brilhou nesse papel, Jalen Nailor encontrou seu espaço, e tentativas como Juju Smith-Schuster não funcionaram. O ex-jogador dos Vikings KJ Osborn, inclusive, declarou publicamente em um podcast recente que está aberto a retornar a Minnesota, reconhecendo que a vaga de WR3 está escancarada. Seja com uma contratação veterana como Osborn ou DeAndre Hopkins, seja apostando no draft com um nome como Ted Hurst, ou ainda confiando no desenvolvimento de Ty Felton, os Vikings precisam definir essa peça do quebra-cabeça. Com Greenard potencialmente ficando pelo contrato atual e a posição de wide receiver demandando atenção, o draft de 2026 e as próximas semanas de negociações prometem ser decisivos para o futuro competitivo da franquia roxa.