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Dois mock drafts, uma semana decisiva: como o Vikings pode navegar a primeira rodada

Henrique Gucciardi e Alan Kaefer via Minnesota Vikings BR·21/04/2026
Dois mock drafts, uma semana decisiva: como o Vikings pode navegar a primeira rodada

A menos de 48 horas do início da primeira rodada do Draft 2026, o Minnesota Vikings chega à semana mais esperada do calendário NFL com múltiplas frentes abertas no elenco, GM interino no comando e uma board que, se cair de forma favorável, pode entregar talento real nas rodadas de sábado. Na live de segunda-feira antes do feriado, rodamos dois mock drafts, um completo com as escolhas da dupla de análise e outro até a quarta rodada com a torcida bancando cada pick, e o contraste entre os dois cenários ajuda a desenhar o que é realista esperar na quinta-feira. A watch party começa 20h30 do dia 23, e a ideia aqui é preparar o terreno.

O primeiro ponto que ficou claro logo nas primeiras picks é que subir no board para buscar Caleb Downs, o safety de Ohio State que vem aparecendo no top 10 de vários big boards, é fantasia. O Vikings não tem uma necessidade concentrada em uma única posição que justifique queimar capital em trade up, e o cenário mais provável é o oposto: acumular picks via trade down, a famosa "saladona de fruta", e sair do draft com o máximo de jogadores jovens possível. Downs é talento de Pro Bowl imediato, mas pagar três picks de primeira rodada para subir da 18 para o top 10 vai contra tudo que a franquia precisa fazer neste ciclo. Profundidade em múltiplas posições vale mais do que uma carta brilhante no topo.

Na pick 18, a escolha do nosso mock foi Monroe Freeling, OL projetado como investimento de médio prazo. A lógica é simples: Brian O'Neill tem 30 anos, está no último ano de contrato e já apareceram rumores de reestruturação que não avançaram. O Christian Darrisaw está contratado por bastante tempo ainda, Donovan Jackson apareceu bem no ano de calouro e Will Fries voltou de lesão grave em um nível aceitável, mas o tackle room precisa começar a pensar no pós-O'Neill desde já. Freeling entra como sucessor natural, treinando um ano atrás de O'Neill antes de assumir em 2027. No mock da torcida, porém, o caminho foi outro: Jordyn Tyson, WR de Arizona State, foi o escolhido na 18. A justificativa faz sentido dentro da filosofia de best player available, já que Tyson, sem o histórico recente de lesão, seria consolidado como um dos melhores WRs da classe. Não é pick de necessidade, mas é pick de valor, algo que o Vikings fez em 1998 com Randy Moss mesmo tendo Cris Carter e Jake Reed no elenco.

A pick 49 foi onde os dois mocks mais divergiram em filosofia. No nosso, Jadarian Price apareceu como o RB ideal para o esquema: paciente, excelente leitura de bloqueio, aquela explosão de 0 a 100 que lembra o Le'Veon Bell dos Steelers em 2016, com o bônus de ter sido retornador em Notre Dame. Price oferece versatilidade real em special teams e pode rodar com o backfield atual sem precisar assumir carga integral no ano um. Já o mock da torcida puxou D'Angelo Ponds, CB de Indiana, que em praticamente todas as outras simulações recentes saiu no início da segunda rodada para Miami. Vê-lo cair na 49 seria um presente raro, e vale um lembrete técnico: apesar do tamanho menor, Ponds não é projeção de slot. Todas as habilidades dele apontam para CB outside, e encaixotar ele na função de nickel por causa da altura é ler o prospecto errado.

A terceira rodada reforçou a ideia de pensar no futuro da trincheira. Connor Lew, Center de apenas 20 anos voltando de lesão no joelho sofrida em outubro, foi a escolha natural na 97. O top 4 de centers desta classe é consistente o suficiente para que errar seja difícil, e Lew entra no plano com Ryan Kelly ou Blake Reynolds segurando a titularidade em 2026 enquanto ele se recupera totalmente e aprende o esquema. Em 2027, assume. É exatamente o tipo de pick que um time em transição precisa fazer: jogador jovem, teto alto, timeline clara. O mock da torcida optou por Darrel Jackson Jr., DL de Florida State, escolha mais voltada para impacto de rotação imediata, e depois fechou com Logan Jones também na posição de C.

Ramsey na quarta rodada (pick 163 no nosso mock) foi a escolha que mais me agradou do board que sobrou. CB/S versátil de 6'2", atlético, corpo grande, 24 anos, ele é o tipo de jogador que pode render oito anos de football de alto nível. A comparação com Harrison Smith é tentadora demais para deixar passar: um CB grande que vira safety, joga forte contra corrida e cobre bem em zona, com aquele atletismo que não abre mão. Mesmo se ele sair antes, o que é bem provável dado como as boards vêm subindo ele, é o perfil que o staff do Flores ama. No mock da torcida, Ramsey saiu bem antes, ainda na segunda rodada, o que só reforça como ele é cotado entre fãs que acompanham o processo de perto.

Da quinta rodada em diante, o draft vira exercício de paciência e pesquisa em prospectos específicos de special teams. VJ Payne apareceu como opção interessante pelo tamanho, e a sétima rodada teve até debate honesto sobre pegar jogador por causa do nome (R. Mason Thomas e LT Overton dispensam comentários). O ponto importante dessas rodadas finais não é o scouting fino, é entender que o Vikings precisa sair do draft com pelo menos um ou dois nomes que entreguem snaps de qualidade em special teams imediatamente, porque Matt Daniels seguir no cargo significa que o retorno e a cobertura precisam de talento puro, já que esquema não vai aparecer.

Entre necessidades reais e melhor disponível, o draft do Vikings vai ser menos sobre um pick de manchete e mais sobre consistência ao longo dos três dias. Freeling ou Tyson na 18, Price ou Ponds na 49, Lew no dia dois, Ramsey lapidado antes de sair da quarta rodada: qualquer combinação dessas entrega valor real, preenche buracos visíveis e preserva capital para as próximas offseasons. A board quase nunca cai do jeito que a gente desenha na segunda-feira, mas o exercício de rodar os dois mocks deixou algo claro: o elenco tem buracos, o calendário salarial tem respiro e o draft tem profundidade o suficiente para o Vikings sair de Green Bay com três a quatro jogadores que vão contribuir em 2026 e um ou dois que vão ser titulares em 2027.

Quinta-feira, 23 de abril, a partir das 20h30, a watch party da primeira rodada acontece ao vivo. Pega a cerveja, libera a noite, reúne a galera e vem comentar cada pick, cada trade e cada grito de Roger Goodell no palco. A expectativa é alta, a board promete entregar valor e a pick 18 pode ser o momento que define o próximo ciclo competitivo do time.

Mock da equipe (completo):

Mock da torcida (até a quarta rodada):

Mocks realizados no simulador do PFF Fantasy (pff.com/fantasy)