Offseason enxuta, disputa no QB e Mock Draft: tudo o que aconteceu nos Vikings até aqui

A offseason do Minnesota Vikings em 2025 não trouxe grandes nomes de impacto no mercado, e isso já era esperado. A situação financeira da franquia, herdada de decisões da gestão Kwesi Adofo-Mensah, deixou o time com o salary cap negativo na virada do ano, exigindo uma série de reestruturações antes mesmo de pensar em reforços externos. Os contratos de Justin Jefferson, Byron Murphy Jr. e TJ Hockenson foram os principais alvos de ajustes. No caso de Jefferson e Murphy, o dinheiro foi antecipado para aliviar o impacto no cap atual, mantendo a estrutura contratual intacta. Já Hockenson aceitou um corte salarial em troca da remoção de um ano de contrato, o que o coloca em último ano de vínculo em 2025, dando a ele a chance de se provar e buscar um novo acordo, seja em Minnesota ou no mercado.
Aaron Jones também esteve na berlinda e chegou perto de ser cortado, mas renegociou seu contrato para permanecer no elenco. A lógica é simples: considerando que o mercado de free agency não oferecia nenhum RB claramente superior ao que Jones entrega, manter um jogador que já conhece o sistema fez mais sentido do que apostar em uma opção externa de qualidade questionável. O caso ilustra bem a filosofia dessa offseason dos Vikings: administrar o que se tem em vez de buscar soluções caras lá fora.
No capítulo das despedidas, a franquia encerrou oficialmente dois ciclos importantes. CJ Ham, fullback que passou uma década inteira vestindo roxo e dourado, anunciou sua aposentadoria ao lado de Adam Thielen, ambos assinando contratos simbólicos de um dia para encerrarem suas carreiras como Vikings. Ham, que chegou como running back não draftado e se reinventou na posição de fullback, foi peça fundamental no jogo terrestre durante a era Dalvin Cook e uma referência dentro do vestiário e da comunidade de Minnesota. A tendência é que o time não busque outro fullback no mercado, optando por utilizar formações com um sexto OL ou três TEs em campo para suprir o papel de bloqueio que Ham desempenhava. Quanto a Thielen, embora sua última passagem tenha sido frustrante, incluindo a troca questionável feita pela diretoria anterior e temporadas apagadas na Carolina, o consenso é que seu legado positivo com os Vikings é forte o suficiente para resistir ao tempo e não ser manchado por um final de carreira abaixo do esperado.
Entre as chegadas, o nome que mais movimentou a torcida foi o de Kyler Murray, ex-primeira escolha geral do Draft de 2019. Murray chega para disputar a titularidade com J.J. McCarthy, e a análise do cenário é mais nuançada do que a reação inicial de parte da fanbase sugere. Murray não é um QB ruim. Seus melhores anos em Arizona, especialmente 2020 e 2021, mostraram quase 5 mil jardas totais e 36 touchdowns em uma temporada. O problema é o contexto: os Cardinals nunca ofereceram um elenco competitivo ao seu redor, passaram por três head coaches durante sua estadia, e as lesões atrapalharam a continuidade. Agora, aos 28 anos, ele traz experiência e atletismo para um time que precisa desesperadamente de produção consistente na posição. A tese otimista é que, assim como Sam Darnold encontrou uma segunda vida em Minnesota, Murray tem potencial para florescer sob Kevin O'Connell. A temporada 2025, na verdade, se apresenta como um cenário de "só tem a ganhar": ou McCarthy ou Murray se firma como solução, ou o time termina mal e garante posição privilegiada no Draft de 2027, que projeta uma classe de QBs excepcional.
Nos bastidores do elenco, dois nomes merecem destaque especial. Jalen Redmond, que chegou da UFL e se tornou possivelmente o melhor jogador da defesa dos Vikings na temporada passada, foi mantido como exclusive rights free agent, ou seja, sem nenhum poder de negociação. Ele joga pelo salário mínimo ou não joga na NFL, o que representa um valor absurdo para o time. Ivan Pace Jr., por sua vez, recebeu a tag de restricted free agent sem compensação de draft pick, o que significa que qualquer time pode contratá-lo sem enviar escolhas a Minnesota, bastando que os Vikings decidam não igualar a oferta. Eric Wilson renovou por três anos, consolidando seu papel em special teams e como um contrato titular. Nas contratações externas, James Pierre chega dos Steelers como corner de rotação, um upgrade em relação às opções que o time tinha rodando em 2024 como Fabian Moreau e Jeff Okudah, e Ryan Van Demark vem dos Bills para ser o swing tackle, substituindo o papel que David Quessenberry ocupava.
Com o Draft se aproximando na última quinta-feira de abril, o exercício de mock draft revelou as necessidades mais gritantes do elenco. Safety e defensive tackle aparecem como as maiores carências. Na simulação, a escolha de primeira rodada recaiu sobre o safety McNew Warren, seguido por AJ Halsey na segunda rodada, formando uma dupla jovem para o secundário. O center Jake Slaughter, de Pittsburg apareceu na terceira rodada, e surgiu como potencial titular imediato, impressionando com nota 90 em pass blocking. Jonah Coleman, um RB no estilo power back, foi o nome da quarta rodada. O cornerback Devon Marshall, com impressionante nota 90.5 em cobertura de zona, se encaixaria perfeitamente no esquema de Brian Flores. A profundidade de defensive tackle nesta classe preocupa, e rumores sobre o interesse dos Vikings em DJ Reader no mercado poderiam resolver essa lacuna sem depender do Draft.
O elefante na sala, contudo, é o futuro de Kevin O'Connell. Desde que chegou a Minnesota, ele consistentemente superou expectativas com elencos limitados, tirando coelhos da cartola temporada após temporada. Mas a paciência tem limite. Se os Vikings não chegarem aos playoffs em 2025, com Murray ou McCarthy no comando, a permanência do head coach estará seriamente ameaçada. A defesa de Brian Flores tem sido o grande sustentáculo do time nos últimos anos, e O'Connell precisa que o ataque finalmente corresponda. A offseason pode ter sido silenciosa, mas a temporada que se aproxima promete ser das mais barulhentas e decisivas da história recente da franquia. Em Minnesota, como sempre, a esperança se renova antes do primeiro snap. Resta saber se desta vez o campo vai confirmar o otimismo.
