Vikings recebem 18 prospectos em visitas pré-draft e sinalizam estratégia para os dias 2 e 3

A menos de duas semanas do draft de 2026, o Minnesota Vikings revelou os nomes dos 18 prospectos que visitaram suas instalações em Eagan. A lista, que poderia ter até 30 jogadores, chama atenção tanto pelo que mostra quanto pelo que omite: não há nenhum safety ou cornerback entre os visitantes, e nenhum dos nomes é cotado para a primeira rodada. A ausência de jogadores de secundária é um indicativo forte de que a franquia pode estar planejando atacar a posição de safety logo na pick 18, sem hesitação, já que a necessidade ali é gritante após a aposentadoria de Harrison Smith.
Entre os visitantes confirmados estão os running backs Jonah Coleman (Washington), Anthony Hill Jr. (Texas), Ted Hurst (Wisconsin), Emerson Johnson (Nebraska) e Damon Claiborne (Wake Forest), além do offensive tackle Tyron de Lansing Mason (Washington), do recebedor Tristan Lee (Clemson), do tight end Oscar Delp (Georgia) e do jogador internacional Jeff Caldwell, um defensive tackle do Equador que impressionou em testes físicos privados. Caldwell, que não participou do Combine, registrou números atléticos impressionantes para seus quase 140 quilos e chamou a atenção de vários times. O padrão do Vikings de usar as top 30 visits para jogadores de segundo e terceiro dia não é novidade. Nos últimos anos sob a gestão anterior, raramente os jogadores escolhidos na primeira rodada apareciam nessas visitas, com exceção de Dallas Turner em 2024. A lógica é simples: prospectos de elite como Cam Ward ou Travis Hunter não precisam de uma visita ao CT para que o time saiba o que são. Essas visitas servem para tirar dúvidas sobre jogadores cuja tape gera perguntas, para conhecer o caráter e a personalidade de prospectos menos badalados.
Um nome que se destaca entre os visitantes é Ted Hurst, recebedor de Wisconsin com 1,91m de altura, quase 10 centímetros mais alto que Justin Jefferson. Hurst é o tipo de jogador que falta no elenco dos Vikings, que hoje conta com Jefferson, Jordan Addison e Tai Felton como recebedores de estatura menor. O prospecto aparece cotado por volta da pick 72 nos rankings gerais, o que o colocaria no range da terceira rodada. Para um time que tem escolhas na 18, 49, 82 e 97, Hurst seria uma adição intrigante que traria diversidade ao corpo de recebedores. Outro destaque é Anthony Hill Jr., linebacker do Texas, um prospecto de segunda ou terceira rodada com instintos impressionantes para encontrar a bola e gerar turnovers, ainda que possua deficiências na mecânica de jogo. O Vikings tem uma necessidade real na posição, considerando que Blake Cashman não consegue se manter saudável e que apostar em Eric Wilson, aos 32 anos, repetir sua temporada de 2025 é um risco considerável.
Um relatório recente de Matt Miller, da ESPN, trouxe uma informação valiosa sobre a filosofia que o Vikings deve adotar neste draft: priorizar produção em vez de projeção atlética no dia 2. A franquia precisa desesperadamente de jogadores que contribuam imediatamente como calouros, algo que tem sido uma falha crônica. Olhando o elenco atual, fora das primeiras rodadas recentes como Jefferson e Addison, quase ninguém no roster é fruto de escolhas de segunda ou terceira rodada da gestão atual. A última vez que o Vikings acertou em cheio numa pick de segunda rodada foi Brian O'Neill em 2018, há oito anos. Jogadores como Andrew Booth Jr. e Ed Ingram foram decepções, e a pick de segunda que seria usada em anos anteriores foi trocada em movimentos para subir na primeira rodada.
Sobre a classe de draft como um todo, existe uma narrativa injusta de que 2026 é um ano fraco. A realidade é mais nuançada. Há pelo menos quatro prospectos geracionais: Jeremiah Love, um dos melhores RBs da última década ao lado de Saquon Barkley e Bijan Robinson; Sonny Styles, talvez o melhor prospecto de LB desde Luke Kuechly em 2012; Caleb Downs, um dos melhores safeties em dez anos; e Yohane, o melhor prospecto de guard desde Quentin Nelson em 2018. O problema é que são posições consideradas não premium, sem quarterbacks de elite ou wide receivers generacionais, o que leva a mídia a desvalorizar a classe. Uma comparação interessante com o draft de 2013, que também era visto como mediano, mostra que aquela classe produziu mais jogadores de Pro Bowl que a celebrada classe de 2014, com a diferença de que a maioria veio da segunda rodada para baixo. Travis Kelce, por exemplo, saiu na terceira rodada daquele draft e se tornou um dos melhores tight ends da história.
Em simulação de mock draft, um cenário particularmente empolgante surgiu: Yohane, o guard de Penn State, caindo até a pick 18. A escolha, embora não preencha uma necessidade imediata dado o investimento já feito em Will Fries e Donovan Jackson, faz sentido pela ótica do melhor jogador disponível. O plano seria colocar Fries no center, manter Jackson e Yohane como guards titulares, e ter uma linha ofensiva brutalmente forte. A partir de 2027, o contrato de Fries se torna facilmente cortável, economizando 35 milhões sem dead cap, o que abriria espaço para um center definitivo. Na sequência do mock, Jacob Rodrigues, safety de Texas Tech com alta produção, apareceu na pick 49, seguido por Jonah Coleman na 82 e Kamari Ramsey, safety de USC, na 97. A ideia de sair do draft com o melhor guard em oito anos e dois safeties, além de um running back promissor, é o tipo de haul que transformaria o elenco.
A filosofia de draft que deve guiar o Vikings é clara: melhor jogador disponível, sempre. Dois dos melhores jogadores da história da franquia, Adrian Peterson e Randy Moss, não preenchiam necessidades quando foram selecionados. Em 1998, o time já tinha Cris Carter e Jake Reed como recebedores e ainda assim pegou Moss porque era simplesmente o melhor talento no board. Em 2007, não precisava de running back, mas Peterson era bom demais para deixar passar. Como o próprio GM interino Rob Brzezinski sinalizou em entrevistas recentes, a única exceção para essa regra é quando dois prospectos são avaliados de forma idêntica, e aí a posição de necessidade serve como critério de desempate. Fora esse cenário, subir no draft para forçar uma escolha de necessidade é um erro que a franquia não pode cometer.
Com o draft marcado para 23 de abril, o Vikings entra na reta final de preparação carregando oito escolhas e uma lista de necessidades que inclui safety, defensive tackle, center e running back. A ausência total de jogadores de secundária nas visitas sugere convicção em atacar a posição cedo, enquanto a presença massiva de running backs indica que a franquia quer garantir o substituto de longo prazo nesse backfield. Resta saber se o board vai cooperar na noite da primeira rodada, mas uma coisa é certa: após anos errando no dia 2, o Minnesota Vikings não pode se dar ao luxo de desperdiçar a pick 49, que será a primeira escolha de segunda rodada da franquia em quatro anos. O relógio está correndo, e desta vez são apenas oito minutos por escolha. Skol.
