noticias

Vikings recebem Packers na semana 1 com elenco renovado e expectativa por ataque mais dinâmico com Kyler Murray

Gabriel Chudis·12/09/2026
Vikings recebem Packers na semana 1 com elenco renovado e expectativa por ataque mais dinâmico com Kyler Murray

A espera de sete meses chega ao fim neste domingo, quando o Minnesota Vikings recebe o Green Bay Packers no US Bank Stadium, às 17h25 (horário de Brasília), em um clássico de divisão que promete definir o tom da temporada 2025 para ambas as franquias. Com um elenco reformulado, um novo QB titular e a continuidade da defesa mais agressiva da NFL sob o comando de Brian Flores, os Vikings entram em campo com a missão de provar que podem ser mais do que coadjuvantes na disputadíssima NFC North.

A offseason trouxe mudanças profundas ao roster. Do lado das saídas, a mais impactante foi a troca de Jonathan Greenard para o Philadelphia Eagles, que rendeu duas escolhas de terceira rodada, uma das quais foi usada para selecionar o safety Jakobe Thomas, de Miami, no draft deste ano. Além de Greenard, os Vikings perderam o WR Jalen Nailor (agora nos Raiders), o center Ryan Kelly (aposentadoria por concussões), e os DTs Jonathan Allen (Bengals) e Jarvon Hargrave (Packers). A presença de Hargrave no lado adversário neste domingo levanta um tempero extra, já que ele conhece de perto o playbook defensivo de Flores e as tendências do ataque comandado por Kevin O'Connell.

As chegadas, porém, foram cirúrgicas. Kyler Murray assume como QB1 com contrato de um ano pelo mínimo de veterano, e traz consigo algo que o ataque dos Vikings carecia: mobilidade de elite. O'Connell, reconhecido como um guru de quarterbacks, teve a offseason inteira para desenhar um playbook adaptado a um QB que corre, escapa da pressão e lança em movimento. A expectativa é de um ataque recheado de play action, movimentações pré-snap e jogadas desenhadas para explorar as pernas de Murray. Não por acaso, o próprio O'Connell destacou em entrevista recente a precisão dos passes de Murray e sua capacidade de antecipar lançamentos, uma habilidade desenvolvida justamente por conta de sua estatura mais baixa, que dificulta a visão do fundo do campo por trás da linha ofensiva. Soma-se a isso a chegada do WR Jauan Jennings, vindo do San Francisco 49ers por um ano e 8 milhões, formando com Justin Jefferson e Jordan Addison o que muitos consideram o melhor trio de WRs da NFL.

Por falar em Jefferson, o astro está visivelmente frustrado com o que ele próprio considera o pior ano de sua carreira em 2025, e mais irritado ainda com analistas que o retiraram do top 5 de WRs da liga. Essa motivação extra pode ser combustível para uma temporada monstruosa. Capitão e líder do elenco, Jefferson além de querer vencer a qualquer custo, é movido por recordes e pelo desejo de ser reconhecido como o melhor WR da história da NFL. O'Connell sabe disso e tende a aumentar significativamente o volume de alvos para o camisa 18, com jogadas desenhadas especificamente para colocá-lo em posições favoráveis. Nos melhores anos de sua carreira, Jefferson flertou acima das 1.800 jardas, e o objetivo agora é retornar a esse patamar, além de superar a marca pessoal de 10 touchdowns em uma temporada.

O jogo corrido também promete ser diferente. A escolha do fullback Max Bredesen na quinta rodada do draft sinaliza a intenção clara de utilizar formações pesadas, e Josh Oliver, um dos melhores TEs bloqueadores da liga, reforça esse plano. O comitê de RBs traz Aaron Jones como principal receptor de bolas saídas do backfield e bloqueador, Jordan Mason com um volume ligeiramente maior de carregadas, e o novato Desmond Claiborn oferecendo velocidade como diferencial. Do lado dos Packers, a ausência de Josh Jacobs por questões extracampo é um golpe duro, deixando o peso sobre os ombros de MarShawn Lloyd e do recém-adquirido Kaleb Johnson. A linha ofensiva de Green Bay já registrou uma das piores taxas de pressão permitida da NFL no ano passado e chega com problemas físicos novamente, o que é um prato cheio para o blitz incessante de Flores, cuja defesa utilizou essa ferramenta em cerca de 40% das jogadas da temporada anterior.

A principal preocupação dos Vikings reside em dois pontos. O primeiro é a posição de center, onde Blake Brandel atuará improvisado após a aposentadoria de Ryan Kelly. Embora tenha treinado especificamente para a função nesta offseason, não é sua posição natural, e a possibilidade de um veterano ser contratado nas próximas semanas não está descartada. O segundo é a secundária. Byron Murphy Jr. é um ótimo CB2 e rendeu mais jogando no slot durante sua passagem por Arizona, posição para a qual deve ser movido com a chegada de James Pierre e Isaiah Rogers nas pontas. Ainda assim, a profundidade preocupa. Harrison Smith, que confirmou seu retorno para a 15ª temporada com contrato de um ano e 12 milhões, não deve jogar muitos snaps contra os Packers e terá participação reduzida ao longo do ano. Josh Metellus oscilou muito após uma única temporada de destaque, e os safeties restantes ainda são incógnitas. Os WRs dos Packers, Matthew Golden, Christian Watson e Jayden Reed, são extremamente velozes, e se a pressão não chegar ao QB Jordan Love, essa secundária pode ser explorada com facilidade.

Love, aliás, já demonstrou que conhece a defesa de Flores. Nos últimos cinco confrontos entre os rivais, teve dois jogos excepcionais, com média de 323 jardas e 3,5 TDs passados nessas partidas. A defesa dos Packers também merece atenção, mesmo sem Micah Parsons, que segue afastado por lesão. Nomes como Devonte Wyatt e o próprio Hargrave garantem que o front seven adversário não será fácil de superar. Nas casas de apostas, o confronto está praticamente 50-50, com leve vantagem para os Vikings pelo fator casa.

E é justamente o US Bank Stadium que pode ser o diferencial. O barulho ensurdecedor da torcida, reconhecido até por adversários como o TE Tucker Kraft, que relembrou o impacto do ambiente em seu ano de calouro, deve dificultar muito a comunicação do ataque visitante. Em um jogo de divisão na semana 1, vencer em casa é obrigação para quem deseja disparar na frente em uma NFC North onde os quatro times têm pretensões reais de título divisional. A projeção é de um jogo decidido por uma posse de bola, com os Vikings levando a melhor graças a um ataque mais criativo e a uma defesa que, mesmo com peças novas, carrega a identidade agressiva do melhor coordenador defensivo da liga. Skol Vikings.