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Vikings vencem sem marcar touchdown pelo segundo jogo seguido e levantam debates sobre o futuro do ataque

Minnesota Vikings BR·06/10/2026
Vikings vencem sem marcar touchdown pelo segundo jogo seguido e levantam debates sobre o futuro do ataque

O Minnesota Vikings é um dos três times invictos da NFL em 2026, ao lado de Kansas City Chiefs e San Francisco 49ers. A vitória por 15 a 10 sobre o Miami Dolphins, no entanto, expôs de forma contundente as fragilidades de um ataque que não marca um touchdown há dois jogos consecutivos. Os 25 pontos combinados entre os dois times, somados a 20 faltas (11 delas dos Vikings, totalizando 85 jardas de penalidades), fizeram desta uma das partidas mais feias da temporada. Ainda assim, vitória é vitória, e o time de Kevin O'Connell segue líder da NFC North com uma campanha que poucos imaginavam possível.

Will Reichard foi, mais uma vez, o grande protagonista dos Vikings. O kicker converteu todos os cinco field goals da partida, incluindo um de 50 jardas, responsável sozinho por todos os pontos do time. Com a atuação, Reichard chegou a 31 field goals consecutivos convertidos, perseguindo o recorde histórico da NFL de 44, estabelecido por Adam Vinatieri. Além disso, ele nunca errou um extra point em sua carreira, seja no college ou na NFL. Will atualmente é o maior pontuador da história do futebol americano universitário. A escolha de um kicker no draft, criticada por muitos na época, prova-se a cada semana mais acertada, e o jovem tem tudo para disputar o All-Pro ao final da temporada.

A defesa comandada por Brian Flores continua sendo o alicerce deste time. Dallas Turner, escolha de primeira rodada, registrou a maior porcentagem de vitórias em pass rush da rodada, com 35% das disputas vencidas. Byron Murphy segue como um pilar sólido do time. Blake Cashman é peça fundamental, com o time ostentando um recorde de 28 vitórias e 13 derrotas quando ele joga a partida inteira. Andrew Van Ginkel e o front seven como um todo seguem sufocando os ataques adversários. O problema, no entanto, mora no grupo de safeties. Harrison Smith, que retornou por mais um ano após a lesão de Adams, já não possui a mesma explosão física. Aos 37 anos, ele foi diretamente responsável por falhas que geraram big plays do Dolphins, incluindo a corrida de 56 jardas de Ollie Gordon III, em que um tackle mal executado transformou o que seria um ganho de 25 jardas em uma jogada explosiva. A questão que se impõe é por que jovens como Jay Ward e Jacob Thomas não recebem mais snaps na rotação, especialmente quando jogadores veteranos demonstram declínio físico evidente.

O ataque de Kyler Murray mostrou sinais de evolução, principalmente na reta final da partida. Dois drives decisivos nos últimos minutos, incluindo a campanha de mais de seis minutos que selou a vitória, revelaram um QB mais confortável no sistema de O'Connell. Murray fez passes de alta dificuldade para T.J. Hockenson e Jordan Addison, colocando a bola em janelas apertadas com precisão. O próprio Murray reconheceu em entrevista pós-jogo que o ataque está próximo de "derrubar a porta" e alcançar o nível esperado. O dado mais animador é a proteção da bola: em quatro jogos, os Vikings têm apenas dois turnovers, um contraste brutal com as 30 turnovers da temporada passada. Com a defesa de Flores, cuidar da bola pode ser o suficiente para seguir vencendo.

A ausência de Justin Jefferson pesou novamente. Ele e Murray ainda não acumularam 20 snaps juntos na temporada, já que Murray se machucou cedo contra os Packers e Jefferson saiu no início do jogo contra os Buccaneers. A decisão de preservá-lo contra os Dolphins foi estritamente médica, apesar do desejo pessoal do WR de jogar em New Orleans, sua terra natal, na próxima semana. Com a bye week na semana 6, é possível que o time adote uma postura conservadora e o guarde para a semana 7 contra os Colts, quando estaria com descanso completo. A verdade é que, sem Jefferson em campo, a defesa adversária pode se concentrar em outros alvos sem a mesma preocupação, e isso limita drasticamente a explosividade do ataque.

O jogo corrido segue sendo um problema crônico desde que O'Connell assumiu como head coach. Aaron Jones está dando tudo de si, jogando visivelmente no sacrifício, mancando entre as jogadas e ainda assim executando bloqueios de alto nível. Mas a insistência em corridas pelo interior, sem um RB verdadeiramente explosivo, continua rendendo pouco. Demond Claiborne recebeu alguns snaps e mostrou flashes, mas ainda precisa evoluir em proteção de passe e entendimento do playbook. O mercado de trocas pode oferecer soluções. Omarion Hampton dos Chargers, vem perdendo snaps progressivamente e seria um complemento interessante. A janela de transferências da NFL se aproxima, e o GM Nolan Teasley já sinalizou que o time será ativo no mercado.

As notícias mais preocupantes vieram do departamento médico. Donovan Jackson, que vinha sendo o melhor jogador da OL com zero sacks permitidos, rompeu o menisco e está fora da temporada. Christian Darrisaw entrou em protocolo de concussão após sofrer dois impactos na cabeça durante a partida e dificilmente joga contra os Saints. Josh Oliver, peça-chave para o bloqueio do jogo terrestre, também se lesionou e ficará fora da temporada. O lado esquerdo da linha ofensiva, antes o mais forte do time, deve entrar em campo com seus reservas, uma combinação que deixa Murray extremamente vulnerável. A possibilidade de buscar reforço de OL no mercado de trocas ganhou urgência, com nomes como o center Aaron Brewer, do próprio Dolphins, surgindo como opção ideal, embora difícil de concretizar.

No special teams, Johnny Heker teve uma atuação desastrosa como punter, com média de apenas 37.8 jardas por chute, tornando ainda mais evidente a falta que Thorson faz ao time. Por outro lado, Myles Price continua brilhando como retornador e ganhando participação no ataque, consolidando-se como um dos jogadores mais importantes do elenco. O próximo desafio é no domingo, às 14h, contra o New Orleans Saints , que vem com um ataque interessante liderado por Chris Olave. Será o teste mais difícil até aqui para um Vikings que precisa provar que pode vencer com mais do que field goals e uma defesa heroica. O 5-0 antes da bye week seria histórico, mas para isso, alguma coisa no ataque precisa mudar.